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Transtorno Afetivo Bipolar – O Que é?

O transtorno afetivo bipolar é uma das mais frequentes e importantes doenças psiquiátricas na população geral. Trata-se de uma afecção crônica, que pode se iniciar em qualquer idade (sendo mais comum o diagnóstico por volta dos 20 aos 30 anos). Acredita-se que entre 3 e 8% da população apresente Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), sendo alguns de forma mais grave e outros mais leves (por isso falamos em espectro bipolar). Isso contabiliza em média 350 milhões de portadores no mundo(cerca de 15 milhões só no Brasil). Ocorre em ambos os sexos e em qualquer idade (sendo mais frequente o diagnóstico por volta dos 20-30 anos).

A característica da doença é uma tendência crônica e intensa a oscilação entre estados depressivos (polo depressivo) e estados patológicos de euforia (que chamamos de mania). Entre os episódios o paciente pode apresentar fases de normalidade. Os episódios podem duram semanas a meses e ter gravidade diversa.

O paciente apresenta uma gangorra de humor e comportamento, apresentando duas modalidades patológicas (Depressão e Mania/Euforia).

DEPRESSÃO (PÓLO DEPRESSIVO)

Na depressão, o paciente pode ficar semanas a meses com sintomas de tristeza intensa, melancolia, dificuldade de sentir prazer, culpa, frustação, pessimismo, baixa autoestima, além de sintomas físicos como fadiga, falta de energia e disposição, alteração de sono, baixa sexual e alterações alimentares. Existe inclusive o risco de suicídio (que aliás gira em torno de 10 a 15 % das formas mais graves da doença)

Depressão bipolar
Tristeza / melancolia
Dificuldade de sentir Prazer
Baixa Energia e disposição
Pessimismo e desesperança
Desapego à vida
Alteração de sono
Alteração sexual
Alteração Alimentar

MANIA

Já o estado de mania (euforia) geralmente dura de dias a semanas e é marcado por agitação, irritabilidade, humor exaltado, expansivo, discurso acelerado e por vezes até confuso, autoestima elevada, por vezes com alguns delírios de grandeza e atitudes equivocadas (como compras exageradas, roupas inadequadas e comportamentos questionáveis). Pessoas em mania tem a mente mais acelerada e por vezes cometem equívocos que podem levam a grandes arrependimentos (baixo bom senso). Nota-se franca inquietação, falta de Sono (que geralmente piora o quadro progressivamente) e pode associar-se a distúrbios da razão e franca desorganização mental em estágios mais graves. O paciente em si pode não se queixar do quadro de mania, já que ele pode alterar a crítica e gerar algum grau de bem estar, em formas leves pode até ser uma fase de alta produtividade (principalmente em áreas criativas) da qual o paciente se orgulha. No entanto, a euforia apresenta inequívocos impactos negativos na performance social e comportamental, devendo ser conduzida com muita atenção pelo médico. Durante um episódio de maniaintensa o paciente pode usar roupas inadequadas, ficar agressivo e desrespeitar autoridades, pode realizar compras que não é capaz de pagar, pode apresentar delírios de grandeza imaginando ter poderes especiais, etc… Algumas vezes o quadro é tão dramático que uma internação é necessária para preservar preservar a integridade do paciente e seus familiares.

Mania (euforia)
Humor Elevado (exaltado)
Pensamento acelerado
Discurso Desconexo
Irritabilidade
Erros de julgamento
Auto estima elevada (fantasiosa)
Delírios de Grandeza
Insônia (baixa necessidade de sono)
Compulsões

EPISÓDIO MISTO

Por vezes, os sintomas de depressão e mania ocorrem de forma concomitante, o paciente está triste, sem percepção de prazer, mas , ao mesmo tempo, está acelerado, impulsivo e irritado. Esse estado é mais infrequente mas pode ser muito perigoso, com alto risco para suicídio.

TIPOS DE TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR

Dependendo da ocorrência e da gravidade dos episódios de polarização

TAB tipo I = nela existe quadros graves de depressão e quadros graves de mania. É o tipo mais clássico.

TAB tipo II = Quadro de oscilação entre depressão e um quadro mais leve de euforia, denominado hipomania (a identificação desse tipo de TAB aumentou muito o diagnóstico). Existem pessoas que apresentam euforia em algum grau quando usam antidepressivos. Isso também pode ser considerado um tipo de Transtorno Bipolar.

TAB tipo III = Pessoas que apresentam depressão e uma história familiar positiva para TAB. São depressivos em risco de ciclar em algum momento.

Outras Opções: Existem também os ciclotímicos (oscilações bem leves do humor) e os cicladores rápidos, que podem passar mais frequentemente de um estado a outro.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O tratamento depende do reconhecimento dos sintomas e do diagnóstico preciso. Não existem exames complementares para fechar o diagnóstico, e sim uma avaliação médica abrangente, com histórico e exames físico e psíquico.

O médico geralmente realiza exames para afastar outros problemas como alterações hormonais (como a tireóide), entre outras.
O tratamento visa reverter a polarização e prevenir recaídas. O tratamento é prolongado, complexo e deve ser personalizado, já que nenhum paciente é igual ao outro (doença heterogênea). É fundamental a participação familiar e usar métodos complementares de terapia, tais como:

Mudança do Estilo de Vida: quem tem TAB deve procurar um vida mais regular, evitar privações excessivas de sono, evitar uso de drogas e álcool e manter atividades físicas (principalmente aeróbicas) regulamente.
Psicoterapia: Pode ser muito útil em alguns casos. Existem várias técnicas e possibilidades, seja individualmente, seja em grupo.
Medicamentos: importante aspecto do tratamento. A descoberta e utilização de estabilizadores de humor mudou radicalmente a evolução dos casos mais graves, reduzindo risco de suicídio, evitando internações e promovendo mais qualidade de vida para o paciente e familiares. Os medicamentos podem ser usados na reversão do estado polarizado (Depressão Vs Mania) e na prevenção. São utilizados medicamentos de diversas categorias de acordo com o tipo e status clínico atual do paciente (estabilizadores de humor / antidepressivos, antipsicóticos, tranquilizantes, etc.).

Meu Filho é Autista?

O autismo é uma disfunção do desenvolvimento cerebral que acomete até 1 % da população, sendo mais comum em meninos (mas ocorrendo também em meninas). Existem vários graus e tipos de autismo, por isso, os portadores podem ser bem diferentes entre si (tanto em gravidade, como no perfil dos sintomas apresentados). Essa disfunção geralmente se apresenta de forma evidente antes dos 3 anos de idade. Infelizmente, no Brasil o diagnóstico ainda é muito tardio, ocorrendo quase sempre na idade escolar (em torno dos 6 anos de idade). No entanto, pais, familiares, educadores e profissionais de saúde mais atentos e informados podem mudar essa estatística, identificando sinais iniciais leves e encaminhando casos suspeito para uma avaliação do especialista (geralmente o neuropediatra ou psiquiatra infantil). O reconhecimento e a intervenção precoce estão associados a um melhor resultado.

A criança com autismo, na maioria das vezes, não apresenta alterações visíveis no rosto ou no corpo (diferente de outras doenças, como a síndrome de Down, por exemplo, aonde existem características suspeitas na fisionomia). Quando bebê, geralmente alimenta-se bem, ganha peso e é ativo. Com o tempo, no entanto, seu desenvolvimento assume aspectos peculiares e ocorrem distorções no amadurecimento da linguagem, no contato interpessoal e no comportamento.

O momento ideal para o diagnóstico (ou ao menos uma suspeita clínica) é entre 18 e 36 meses. Mas mesmo antes disso, podem ocorrem indícios que devem ser atentamente acompanhados pelo especialista. O sinal de alarme mais comum é o atraso na linguagem, mas quando isso ocorre de forma evidente, geralmente a criança já apresenta uma série de sintomas como restrição social, dificuldade de percepção e interação com o outro e comportamentos peculiares, tais como: apego à rotinas, brincadeiras concretas, estereotipias, intolerância sensorial (ao barulho e luzes intensas), etc. Em bebês abaixo de 1 ano e meio o diagnóstico é muito mais difícil pois a demanda social é baixa e os sintomas podem ser brandos e pouco específicos: alinhamento diferente no colo da mãe, pouco olho no olho durante as mamadas, crises frequentes de choro sem motivo aparente, pouca busca e imitação de rostos humanos, entre outros.

O autismo não aparece em exames de rotina, não é apontado no teste do pezinho, nem mesmo em ressonâncias ou tomografias. O diagnóstico é baseado em queixas familiares e escolares aliado a avaliação médica estruturada e a impressão do especialista. A causa do distúrbio é ainda desconhecida, mas acredita-se em fortes determinantes genéticos, sendo injusto culpar vacinas e o método de criação por essa patologia. A genética é evidente quando se estuda casos de recorrência familiar, ainda mais alta em gêmeos idênticos (mesmo que criados à distância).

Abaixo, listarei alguns sinais e sintomas frequentes no autismo. Lembrando que a composição clínica é extremamente variada e que diversas patologias podem mimetizar alguns aspectos do autismo (principalmente aos olhos de não especialista), tais como: baixa acuidade auditiva, dislexia, psicopatia, neuropatias metabólicas, etc. Por isso, essa lista abaixa se presta apenas para levantar uma suspeita e conduzir a criança a uma avaliação personalizada e especializada.

 

1- Dificuldade em olhar nos olhos

2- Não mudam o comportamento na presença de outra pessoa

3- Dificuldade em imitar caretas e expressões faciais

4- Parecem “surdas” reagindo pouco ou nada mesmo ao ser chamada pelo nome

5- Mostram-se incomodadas quando fora da sua rotina ou em ambientes com muitos estímulos

6- Não se sentem a vontade com abraços, beijos e toques

7- Apresentam atraso no desenvolvimento da comunicação interpessoal (verbal ou não verbal)

8- Dificuldade em compreender metáforas e ironias (linguagem concreta)

9- Dificuldade em iniciar ou sustentar um diálogo

10- Brincam de forma diferente, com objetos concretos e previsíveis (hélice de ventilador, rodando um prato, empilhando brinquedos, alinhando carrinhos, etc.).

11- Não brincam muito de forma lúdica e imaginativa, tipo “faz de conta”

12- Apresentam olhar vago e por vezes parecem distantes

13- Presença de estereotipias motoras. Balançar o tronco, a cabeça ou outras partes do corpo, aparentemente sem uma intenção clara. (apesar desta característica ser muito famosa, não é presente em todos os casos, ou é por vezes sutil)

14- Ataques repentinos e aparentemente imotivados de fúria (intolerância ambiental)

15- Parecem ser resistentes à dor.

Como podemos ver os sintomas giram em torno de 3 eixos: alteração de linguagem e comunicação, comportamento peculiar e redução evidente da interação social.

O autismo é uma disfunção crônica, o tratamento exige medidas variadas e individualizadas caso-a-caso. De modo geral, a criança precisa de um equipe multidisciplinar com abordagem clínica, fonoterápica, fisioterápica e pedagógica, afim de inibir os comportamentos disfuncionais e desenvolver suas habilidades mais adaptativas. A resposta é melhor quanto antes as terapias forem iniciadas.

No caso de qualquer suspeita é fundamental procurar um especialista.

Aneurisma Cerebral – Entenda Mais Sobre o Assunto

Essa é uma das doenças neurológicas mais temidas pela população. Quem nunca ouviu uma história trágica envolvendo a ruptura de um aneurisma cerebral? No imaginário coletivo, o termo aneurisma figura entre os mais preocupantes que se tem conhecimento.

O aneurisma é uma distorção anatômica da parede de uma artéria. Quando existe uma dilatação patológica localizada na parede de uma artéria, dizemos que ali há um aneurisma. Essa dilatação traz fragilidade ao vaso, tornando seu rompimento mais fácil. Um aneurisma pode ocorrer em qualquer artéria do corpo humano, quando acontece nas artérias que nutrem o cérebro, chamamos de aneurisma cerebral.

Existe vários tipos de aneurismas, a depender do tamanho, da localização, do formato, da causa, etc. O risco de um aneurisma está na chance de ruptura e risco de sangramento cerebral, que pode ser muito perigoso.

Acredita-se que cerca de 3 a 5 % da população desenvolva aneurismas cerebrais durante a vida, sendo a maioria congênitos. A maioria deles são pequenos e assintomáticos, sendo desconhecidos pelos seus portadores. Por isso dizemos que o aneurisma é uma doença quase sempre silenciosa. A manifestação clínica ocorre no momento da ruptura (com sangramento cerebral), ou quando o aneurisma é grande e comprime estruturas ao seu redor, como nervos.

O risco de rompimento varia muito de um caso para o outros, e muitos passam a vida inteira sem incomodar. Acredita-se que o risco anual de rompimento esteja em cerca de 0,5 a 1 % ao ano. Sendo maior para aneurismas grandes (acima de 10 mm). Por isso que o achado de aneurisma em jovens preocupa mais, pois a expectativa de vida é maior, sendo o risco de rompimento maior.

Existe um risco genético maior para quem tem familiares de primeiro grau com aneurismas (quanto mais familiares, maior o risco). Também existe uma associação entre aneurismas cerebrais e doença policística renal.

Além dos aneurismas congênitos (que nascem com a pessoa). Existem outros tipos (causas): aneurismas por hipertensão descontrolada (microanuerismas), aneurismas por inflamação ou infecção, aneurisma traumático, etc.

TABELA – TIPOS DE ANEURISMAS CEREBRAIS

Características importantes de um aneurisma
– Localização
– Tamanho
– Formato (Sacular / Fusiforme)
– Número
– Contexto (causa / idade / doenças)
– Sintomático Vs Assintomático

SINTOMAS

Como relatado acima, a maioria dos aneurismas não dão aviso de que está lá. São geralmente assintomáticos até encontrar em alguma estrutura ou romper. O rompimento é a manifestação mais comum. Nos Estados Unidos ocorrem cerca de 30.000 sangramentos por aneurismas por ano. O sangramento é uma ocorrência grave, abrupta e potencialmente fatal.
A pressão dentro de uma artéria é alta, por isso durante uma ruptura de aneurisma, muito sangue pode extravasar, causando uma dor intensa e súbita, a pressão intracraniana pode aumentar e estrutura cerebrais podem ser comprimidas.
Para se ter uma ideia, na ruptura de um aneurisma cerebral, cerca de 40% dos pacientes morrem antes de chegar ao hospital (Morte “súbita”) ou nos primeiros 30 dias de internação. Dos 60 % que chegam ao hospital, mais da metade apresentam sequelas neurológicas graves na evolução.
É fundamental ficar de olho em dor de cabeça que surgem de forma súbita, repentina, e que atinge seu ápice em poucos segundos. Rigidez de nuca e alteração do estado mental também são indicativos de hemorragia suspeita. Outra dica é sempre valorizar as queixas de dor de cabeça que surgem durante atividade sexual e exercícios físicos (principalmente ao pegar peso). Essa ocorrência exige uma avaliação neurológica imediata, pois a chance de distensão ou sangramento é razoável. O diagnóstico preciso pode salvar a vida, pois o risco de ressangramento catastrófico é elevado.
A missão de identificar um aneurisma sem qualquer sintoma não é nada fácil. Quase sempre é um achado que um exame que foi feito para outra hipótese (aneurisma chamado de incidental – achado de exame). Não existe recomendação de fazer exames para a população geral, sem qualquer sintoma. A não ser quando a pessoa tem familiares com aneurismas, principalmente quando mais que 1 (2 ou mais familiares).

 

Sintomas (Principais)
– Dor de cabeça (Súbita e intensa)
– Dor associada a atividade física ou sexual
– Náuseas com dor
– Rigidez de nuca
– Alterações visual
– Alteração da consciência
– Assintomático com Historia Família ou Rins Policísticos

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de um aneurisma cerebral exige um estudo direcionado para anatomia das artérias. Muitas vezes uma Tomografia ou uma ressonância do cérebro, mesmo com contraste, não enxerga um aneurisma menor que 15 mm. Por isso, é recomendado um exame mais específico, como a Angio-Tomografia arterial ou uma Angio-Ressonância arterial, ou até um exame mais invasivo, chamado arteriografia cerebral, com um cateterismo direto das artérias do cérebro. Cada um desses 3 exames tem suas indicações, vantagens e limitações.

Na suspeita de um sangramento causado por um aneurisma. O exame inicial a ser realizado é a tomografia de crânio ou a ressonância. Em casos selecionados o exame do líquor é recomendado também. O paciente deve ser visto e investigado no pronto socorro e ser internado imediatamente em UTI na confirmação de um sangramento aneurismático. Geralmente a internação é prolongada e modifica muito a vida do paciente e familiares.

Exames para identificar um aneurisma Exames para ver se sangrou ou não
-Angio-tomografia arterial -Tomografia de Crânio sem contraste
-Angio-ressonância -Ressonância Magnética
-Angiografia arterial -Exame de líquor

TRATAMENTO

O tratamento deve ser personalizado caso-a-caso. Precisa avaliar o tipo, tamanho e localização do aneurisma, além da idade do paciente e contexto clínico. Em alguns casos é feito apenas um seguimento clínico, como em paciente mais idosos, aneurismas pequenos ou de difícil acesso e pessoas com doenças sistêmicas graves. Outra coisa importante é definir se o aneurisma sangrou ou não. Se já sangrou a tendência a tratar é muito maior, uma vez que o ressangramento pode ser catastrófico.
Quando optado por tratamento é muito importante definir entre duas modalidades básicas: a microcirurgia aberta (com colocação de CLIP de metal na base do aneurisma) ou a embolização, aonde o paciente faz um cateterismo e coloca molas dentro do aneurisma, excluindo-o da circulação. Ambas modalidades têm vantagens e desvantagens.
Seja como for o tratamento exige um hospital referência e uma equipe neurocirúrgica treinada. Pacientes que se recuperam bem do sangramento (e trataram o aneurisma), ou que tiveram seus aneurismas operados antes de um sangramento podem levar uma vida praticamente normal, com baixa taxa de recorrência. Mas precisam de seguimento regular.

Saiba Mais Sobre o Tremor Essencial

Todo mundo apresenta tremores em situações peculiares: um dia muito frio, um episódio de febre, nervosismo por uma apresentação importante, em momentos de cansaço muscular, etc. Agora, imagina manifestar um tremor constantemente, sempre que precisa utilizar as mãos, por exemplo. Essa é uma situação mais comum do que se imagina e pode configurar um problema que acomete 5 % da população brasileira, o tremor essencial.

O problema inicia-se geralmente na segunda ou terceira década de vida, o tremor é geralmente nos dois lados, relativamente simétrico e predomina nas mãos, eventualmente na cabeça e na voz. O quadro piora com o movimento do membro ou quando o paciente é observado, melhorando com o repouso do membro e cessando durante o sono.

Um detalhe interessante sobre o tremor essencial é que o paciente tende a melhorar com o consumo de doses leves a moderadas de álcool (isso ajuda no diagnóstico, mas não é, de forma alguma, recomendado como tratamento).  O tratamento é feito com medicamentos específicos e visa apenas o controle dos sintomas, uma vez que o problema é genético.

O medo número um de alguém que tem um tremor intenso é de ter, ou desenvolver, a doença de Parkinson (que é, pelo menos, 8 vezes mais rara que o tremor essencial).

CONHEÇA AS 5 PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE TREMOR ESSENCIAL E DOENÇA DE PARKINSON

1- O tremor essencial é um tremor de ação. Ocorre ou piora quando o paciente estende os braços e mantém os membros esticados. No Parkinson ocorre o contrário, o tremor é de repouso, ocorre ou piora quando o membro fica relaxado, melhorando com o movimento.

2- No tremor essencial o quadro é bilateral e geralmente simétrico. No Parkinson o quadro começa de um lado do corpo e acomete o outro lado durante a evolução clínica.

3- A história familiar de tremor é rara no Parkinson (cerca de 3%) e muito frequente no tremor essencial (até 50 %)

4- No tremor essencial o único problema é o tremor. Já no Parkinson, o paciente apresenta uma série de outros sintomas neurológicos como alteração de marcha, rigidez muscular, lentidão de movimentos, alteração de voz, etc.

5- O Parkinson é muito mais frequente em paciente acima de 60 anos, apesar de existir Parkinson de início anterior aos 40 anos de idade. Já o tremor essencial tem seu pico de incidência entre 20 e 30 anos de idade (apesar de ter casos que se iniciam após os 50, 60 anos).

O que São Neuralgias?

A dor é um dos sintomas mais desconfortáveis e incapacitantes que se tem conhecimento. Ela traz sofrimento físico e psicológico levando a imediata mudança de comportamento, protegendo o indivíduo em algumas situações, mas trazendo impacto na qualidade na qualidade de vida em outros.

Existem inúmeros tipos de dor, a depender da causa, do tempo de duração, da estrutura envolvida e do limiar individual. A forma mais conhecida é a dor como sinal de alarme para uma lesão tecidual, algo que lese os tecidos (pele, músculos, ossos, articulações etc.). Essa dor é fundamental para a manutenção da integridade.

Agora, existe um tipo peculiar de dor: a dor neuropática (causada pelo próprio sistema nervoso, central ou periférico). A dor neuropática não é fruto de ameaças no sítio de percepção, e sim uma disfunção do próprio sistema de captação e transmissão da dor tradicional (nervos/medula ou cérebro).

Chamamos de nevralgia (ou neuralgia) as dores oriundas de disfunção nos nervos periféricos. tratam-se de dores com características peculiares e muito sofrimento para seus portadores.

As nevralgias são dores geralmente descritas como choques, pontadas, queimação, fincadas, tem características agudas e repentinas, trazendo um sofrimento muito intenso para quem as sente. O paciente descreve crises de dor, geralmente sempre no mesmo lugar, com um território (faixa) de distribuição de um nervo. A despeito da dor intensa o paciente não nota nenhuma alteração visível na área aonde a dor é sentida. a resposta aos analgésicos comuns é geralmente ruim. É mais comum em pessoas mais idosas, mas podem ocorrer em qualquer idade.

 

Característica de dores neuropáticas (Nevralgia)
–   Choques/Fincada/Queimação
– Localização peculiar (faixa/ território nervo)
– Aguda (crise)
– Intensa
– Ausência de lesão visível no local da dor
– Resposta ruim aos analgésicos comuns

 

Existem muitas formas de nevralgias, a depender da causa e da localização.

O médico para fazer o diagnóstico irá se valer da história clínica, questionando o tipo de dor, a intensidade, a localização, os fatores de melhora ou piora e sintomas associados. Por vezes a dor nevrálgica vem acompanhada de outros sintomas neurológicos, como formigamentos, alterações de sensibilidade, fraqueza, entre outros.

Teoricamente, qualquer doença que acomete os nervos periféricos, principalmente na sua porção sensitiva (que leva informações dolorosas para a medula e cérebro), podem causar dores de padrão neurálgico. Podem ser compressões, inflamações, infecções, desgaste de nervo por envelhecimento, causas tóxicas, etc. Em alguns casos a causa é determinada, em outros, a causa definitiva não é encontrada, sendo considerada uma degeneração do nervo de causa inexplicável.

CONHEÇA OS PRINCIPAIS TIPOS DE NEURALGIAS:

    1. Neuralgia do Trigêmeo

Esse é o principal representante da categoria das neuralgias. O paciente sente uma dor facial aguda, e choque de intensidade muito elevado. Trata-se de uma das piores dores sentidas pelo ser humano. A duração é geralmente curta, segundas, mas o quadro pode se repetir diversas vezes ao dia por período variável de tempo. As crises são espontâneas e o paciente tende a levar a mão no local da dor para tentar conte-la com um estímulo tátil. É mais comum acima dos 60 anos. Mas pode ocorrer em qualquer idade.

É fundamental buscar uma causa, principalmente quando o paciente é mais jovem (alguma compressão ou inflamação do nervo). Em idosos geralmente nenhuma causa é encontrada.

É fundamental afastar problemas dentários, de ATM, sinusites, etc. O tratamento pode ser feito com medicamentos ou procedimentos cirúrgicos.

    1. Neuralgia Pós Herpética

Um dos quadros que mais causa dor nevrálgica é a fase pós infecção pele vírus do Herpes, principalmente o Herpes Zoster (Varicela-Zoster). A doença é causada pela reativação do vírus da varicela (que causa a Catapora na infância). O quadro de recorrência é geralmente localizado, delimitado por uma faixa de inflamação com lesões parecendo vesículas na pele. Muitos chamam esse quadro de Cobreiro. O Zoster pode aparecer em qualquer lugar do corpo, inclusive no rosto. Geralmente o quadro surge em idosos ou pessoas com imunidade reduzida, mesmo que por estresse excessivo. O vírus do Herpes Zoster inflama o nervo e com isso podem surgir dores terríveis no local do acometimento da infecção, essa dor pode perdurar por meses a anos após a infecção propriamente dita.

    1. Ciática

Dor bastante comum que afeta milhares de pessoas pelo mundo. A dor geralmente se projetada região lombar para um dos membros inferiores, por isso as vezes é chamada de lombo-ciatalgia. A causa é quase sempre uma compressão por uma hérnia ou outros problemas mecânicos da coluna lombar. A dor é agravada por espirros, tosse, carregamento de peso e algumas posições específicas.

    1. Outras: neuropatia diabética, neuropatia alcoólica, traumática, compressão de nervo, doenças genéticas, etc.
Causas de Neuralgia
– Neuralgia trigêmeo
– Neuralgia pós Herpes
– Ciática
– Compressão de nervo
– Diabetes
– Alcoolismo
– Traumas

SAIBA COMO É FEITO O TRATAMENTO DAS NEURALGIAS
O tratamento depende muito da causa do problema. De modo geral as nevralgias não respondem bem aos analgésicos e anti-inflamatórios comuns. Como a natureza do sintoma é neurológica, os medicamentos devem ser específicos para agir no próprio nervo, seja para prevenir, seja para remediar a dor após o seu início. Quando a causa é determinada o tratamento deve ser movido para a causa do problema. Existem opções de cirurgia em casos selecionados, principalmente nas compressões. O ideal é uma avaliação com especialista para personalizar o melhor tratamento caso a caso.

Perguntas e Respostas Sobre a Síndrome do Pânico

Síndrome do Pânico é um tipo peculiar de ansiedade. O portador apresenta crises agudas, intensas e recorrentes marcadas por sintomas físicos e psíquicos  típicos. Com a vivência das crises, o paciente evolui com insegurança e medo de passar mal, o que gera esquiva fóbica de situações que possam se tornar perigosas e constrangedores. Sem tratamento, o paciente pode evoluir com franca restrição social, alta dependência de familiares, frustração e sintomas depressivos.

Acredita-se que até 4% da população desenvolva síndrome do pânico durante a sua vida, sendo que mulheres tem um risco maior que homens (3:1). As crises podem se iniciar em qualquer fase da vida, sendo mais frequentes na fase de adulto jovem (ao redor dos 20 anos).

As crises ocorrem com intensidade e frequência variável de paciente para paciente. O gatilho também varia. Alguns pacientes apresentam crises em situações específicas e outras apresentam crises espontâneas sem motivo aparente. A crise em si é marcada por sintomas evidentes e desconfortáveis, quase sempre progressivos até um auge clínico, seguido de uma fase de recuperação. O tempo de crise varia geralmente entre 10 e 30 minutos, sendo a recuperação também gradual.

COMO É A CRISE DA SÍNDROME DO PÂNICO?

Durante uma crise de pânico associam-se sintomas físicos e psíquicos, sendo os sintomas físicos bastante intensos e evidentes, podendo mimetizar doenças clínicas graves como: infartos, arritmias, acidente vascular cerebral, convulsões, etc.

SINTOMAS FÍSICOS SINTOMAS PSÍQUICO 
Taquicardia (Palpitação) Angustia
Falta de AR Medo
Tremores Sensação de Morte Iminente
Formigamento Insegurança
Sudorese Desespero
Alteração Intestinal Despersonificação
Tonturas e Sensação de Desmaio Desrealização

QUAIS SÃO AS CAUSAS DA SÍNDROME DO PÂNICO?

Existem inúmeras teorias complementares para tentar explicar porque algum apresenta uma crise de Pânico. Existem um aspecto genético, inato, com tendência a fenômenos ansiosos (Vulnerabilidade Biológica). Aliado a isso, existem aspectos de vida, com pressões e ocorrências eventualmente estressantes que levam a um desajuste no sistema cerebral de previsão, quantificação e resposta ao risco(Desencadeantes Ambientais).

Quando o alarme de risco falha surge análise e respostas amplificadas de perigo, gerando a crise de Pânico.

Trata-se de um problema orgânico, cerebral, aonde determinadas áreas profundas cerebrais ficam mais sensíveis a pequenos riscos e determinam uma resposta aguda mediada pela adrenalina, causando boa parte dos sintomas Físicos e Psíquicos discutidos anteriormente.

Acredita-se que a disfunção nas vias envolvidas com a serotonina pode justificar, em algum grau, a tendência a crises de ansiedade. Por isso que boa parte dos medicamentos usados no tratamento dos pacientes são atuantes nessa via, restabelecendo seu funcionamento.

QUAL EVOLUÇÂO CLÍNICA DA CRISE DE SÍNDROME DO PÂNICO?

A ocorrência de uma crise de Pânico é um evento traumático e muito angustiante. É muito comum o paciente ter a impressão clara que está tendo um infarto, uma arritmia grave ou mesmo um AVC. Muitos procuram o Pronto socorro durante o evento tal a intensidade dos sintomas físicos. A avaliação médica e exames complementares afastam as suspeitas clínicas, ajudando a configurar o evento como um quadro agudo de ansiedade.

Quem passa por uma crise de pânico fica com muito medo de sentir de novo. Chamamos isso de agorafobia, um medo de passar mal. Com isso nasce uma preocupação crônica uma ansiedade contínua com medo da recorrência. O paciente perde a confiança em si, se sente inseguro, fragilizado. Com o passar do tempo passa a evitar situações arriscada, que possam induzir crises ou que não ofereçam rotas de fuga fáceis no caso de uma ocorrência espontânea.

Quem tem síndrome do pânico pode apresentar sintomas depressivos, outros sintomas ansiosos, como insônia, TAG (transtorno de ansiedade generalizada), Transtorno obsessivo- compulsivo (TOC) e mesmo fobias e compulsões.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME DO PÂNICO?

O diagnóstico é feito com base na história clínica e no perfil psíquico do paciente. É fundamental afastar outras doenças tais como, distúrbios de tireoide, abuso de substâncias estimulantes, doenças cardíacas e respiratórias, etc. Para isso o médico usará o exame físico e alguns exames complementares em casos selecionados.

COMO É FEITO O TRATAMENTO DE SÍNDROME DO PÂNICO?

A tratamento deve ser personalizado caso a caso . É fundamental comunicar o diagnóstico e explicar sobre a ausência de patologias clínicas que justifiquem a crise. É fundamental discutir a associação de medicamentos, com terapia, com mudanças no estilo de vida.

Mudança do estilo de vida: para todos os pacientes ansiosos é altamente recomendado adequação do sono, atividades físicas regulares (principalmente aeróbicas), evitar alimentos / substâncias muito estimulantes, redução do estresse, válvulas de escape, gerenciamento do tempo, etc.

Terapia: pode ser muito útil a realização de terapia, principalmente da modalidade cognitivo- comportamental. Na terapia o paciente aprende a reconhecer os sinais iniciais de ansiedade e aprende a gerenciar conscientemente algumas emoções envolvidas. Além disso pode-se trabalhar alguns determinantes pregressos nos casos aonde um ou mais eventos traumáticos forem presentes.

Medicamentos: os medicamentos são muito importantes na evolução dos casos de síndrome do Pânico, principalmente nos casos já envoltos pelo ciclo vicioso de CRISE —– MEDO DA CRISE —– ESQUIVA / ansiedade ANTECIPATÓRIA —— CRISE.

TOC e Manias – O Que São e Como Tratar

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) é uma das patologias psiquiátricas mas frequentes atualmente. Acredita-se que cerca de 1 a 2% da população brasileira tenha TOC (cerca de 4 milhões), podendo se manifestar em qualquer idade e ambos os sexos. Diferente de outros transtornos de ansiedade, o TOC não é mais frequente em mulheres, sendo que apresenta inclusive uma manifestação mais precoce em homens (as vezes antes da adolescência).

No TOC a pessoa apresenta pensamentos intrusivos que são desconfortáveis e geralmente negativos. Esse desconforto é transitoriamente aliviado por comportamentos compulsivos, estereotipados, repetitivos e muitas vezes desnecessários, gerando um ciclo vicioso de angustia – compulsão. A doença frequentemente se associa a outros sintomas de ansiedade e até depressão, os pacientes apresentam franco comprometimento das atividades diárias e apresentam muita frustração por não controlarem adequadamente seus pensamentos e comportamentos.

O tipo de pensamento (obsessão) e de comportamento (compulsão) recorrente varia muito de um caso a outro. Os pensamentos mais comuns são de contaminação, imperfeição, impureza, doença, de morte, desastres, ruína, etc., seja com a própria pessoa, seja com outras ou com a própria humanidade, a sensação de ansiedade e angustia gerada pelo pensamento intrusivo gera um padrão de comportamento irresistível, cíclico e vazio, os mais comuns são: de limpeza, de alinhamento, organização, contagem, de checagem, etc. Após o comportamento pode surgir frustração e mal estar, reiniciando o ciclo.

O paciente pode apresentar comportamentos compulsivos com uma frequência muito alta. Geralmente a pessoa com TOC apresenta algum controle sobre seu problema, podendo se manter relativamente normal em alguns ambientes. O quadro piora em fases de maior estresse.

O paciente com TOC não perde a lucidez e a crítica, ele sabe que os pensamentos intrusivos são absurdos ou exagerados e que os comportamentos são disfuncionais e sem sentido prático, mesmo assim não consegue contê-los em sua plenitude.

Comportamentos compulsivos mais frequentes
Alinhamento
Organização
Limpeza
Checagem
Contagem

 

Definir a patologia TOC nem sempre é fácil. Muitos pacientes demoram para buscar ajuda e conseguem administrar de alguma forma seu TOC. Outro risco é que pessoas normais se considerem TOC por apresentar alguma rotina, mania (no sentido leigo da palavra, de habito peculiar) ou ritual.

Todo mundo apresenta comportamentos repetitivos e aparentemente inúteis em algumas situações. Batemos na madeira, checamos duas vezes se a porta está trancada, limpamos a casa várias vezes, fazemos sinal da cruz ao passar em frente a uma igreja e por aí vai. Manias são comuns e até úteis em algumas situações para manter a rotina. Algumas são fruto de aspectos sociais, culturais ou religiosos, esses ritos contextualizados, leves e que não geram problemas ou transtornos para serem realizados não configuram TOC.

O limiar as vezes é tênue entre uma mania e um TOC, podendo até haver migração de um componente a outro. Mas, de modo geral conseguimos definir entre um e outro nos baseando em: intensidade, contexto, motivação, impacto na qualidade de vida.

Diferenciando TOC e mania
Intensidade
Motivação
Contexto
Impacto na qualidade de vida

 

TOC é uma doença psiquiátrica com causas múltiplas e complexas, acredita-se que existam fatores genéticos e ambientais que geram disfunções no funcionamento cerebral gerando inseguranças, instabilidade e respostas alteradas ao estresse. O TOC não é fruto de criação ou isoladamente de comportamentos aprendidos na infância. Existem componentes funcionais intrínsecos do cérebro, principalmente no lobo frontal e nas vias do neurotransmissor SEROTONINA que gera um padrão psíquico marcado por intrusões de pensamentos e comportamentos de alívio. A escolha do tipo de obsessão e do tipo de comportamento pode ter eventualmente um padrão influenciado por aprendizado, contexto e questões culturais contemporâneas.

 

COMO É FEITO O TRATAMENTO DE TOC?

O tratamento do TOC é individualizado caso a caso. Em casos mais graves o recomendado é o tratamento combinado, como medicamentos específicos, terapia do tipo cognitivo comportamental e mudança do estilo de vida. O tratamento é crônico e deve ser acompanhado por médico, psicólogo e a participação do paciente e familiares é fundamental. É sempre recomendado medidas anti-estresse como: atividades físicas, boa alimentação, controle do sono, etc.

Transtornos de Aprendizagem – Como Identificar e Tratar

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, também conhecido pela sigla TDAH normalmente é detectado quando a criança está em idade escolar, iniciando o seu aprendizado formal, ou seja, a partir dos 7 anos. Acredita-se que a frequência de TDAH em crianças em idade escolar seja de 5%. Obviamente, existem casos em que este diagnóstico pode ser suspeitado mais precocemente, ainda na fase pré-escolar, embora isto seja mais difícil e passe muitas vezes despercebido. Contudo, não podemos esquecer também dos adultos com TDAH que não foram diagnosticados e tratados na infância e sofrem diariamente com dificuldade para prestar atenção (“memória ruim”), impulsividade e inquietude (“hiperativos”).

Em relação à sua fisiopatologia, o TDAH ocorre por um problema no funcionamento de um circuito que utiliza a dopamina, uma substância produzida no cérebro (neurotransmissor) que tem a função de estimular determinadas áreas, por exemplo, regiões cerebrais relacionadas com a atenção, com a capacidade de resolver problemas, planejamento e estratégia. Esta é a área que mais se desenvolveu no cérebro humano, quando nos comparamos com ancestrais primatas, e se localiza acima dos olhos, atrás do osso frontal, em uma região que conhecemos por córtex pré-frontal.

Os indivíduos com TDAH provavelmente têm uma predisposição genética (ainda não bem conhecida) e quando submetidos a fatores externos desenvolveriam o TDAH. Dentre as influências externas destacam-se tabagismo e etilismo antes e durante a gravidez, baixo peso ao nascer e neuroinfecções após o nascimento.

Sobre os pacientes que desenvolvem TDAH na vida adulta é importante ficar claro que sendo uma patologia do neurodesenvolvimento esta doença deve, obrigatoriamente, iniciar na infância ou, no máximo, adolescência (12 anos). Ainda hoje, de acordo com os critérios diagnósticos do DSM-IV, só é possível fazer o diagnóstico de TDAH se o indivíduo iniciou os sintomas a partir dos 7 anos de idade, independente da idade que tem hoje, seja, 20, 30 ou 40 anos. A nova proposta de diagnóstico do DSM-V, ainda não vigente, deverá constar com o ponto de corte de 12 anos de idade para início dos sintomas.

Podemos separa algumas diferenças entre os sintomas do TDAH em crianças e adultos

Nas crianças o TDAH divide-se em 2 subgrupos: desatento e hiperativo/impulsivo. No subgrupo desatenção a criança não presta atenção em sala de aula, tira notas ruins, não aprende, não acompanha as conversas dos colegas, pais e professores, enquanto no subgrupo hiperatividade/impulsividade não espera sua vez, é muito inquieta, não permanece no mesmo lugar, movimenta muito as pernas quando sentada.

No adultos, a maioria absoluta dos casos são apenas do subgrupo desatento. A principal queixa destes adultos quando procuram o médico é, sem dúvidas, quanto à memória. Reclamam que não guardam informações, são rotulados equivocadamente de “preguiçosos”. Além disto, têm dificuldade para organizar seu ambiente de trabalho e vida pessoal, assim como priorizar tarefas mais importantes. Finalmente, podem apresentar dificuldade para resolver problemas corriqueiros como planejar uma viagem de lazer ou organizar uma apresentação de trabalho.

O fato de o TDAH ser menos diagnosticado em adultos tem algumas explicações. Uma delas é educação médica, ou seja, falta de um maior treinamento ou preparo para “entender” que um adulto jovem com queixa de “esquecimento” poderá ter, entre diferentes diagnósticos diferenciais, TDAH. Além disto, a própria população acredita que TDAH só existe na infância e não percebe que este diagnóstico poderia ser feito, pela primeira vez, na idade adulta.  Entretanto é preciso ter cuidado porque nem toda pessoa “agitada” ou “desatenta” necessariamente tem TDAH. Aliás, esta pessoa pode não ter problema algum.

Quando se faz o diagnóstico em adultos de TDAH é preciso se certificar de uma série de elementos que apenas um médico poderá elucidar. Por exemplo, doenças associadas como problemas na tireoide, depressão, ansiedade, transtornos do sono, autismo, encefalopatias crônicas não evolutivas, uso de drogas ilícitas ou lícitas, outros transtornos do neurodesenvolvimento, além de alterações que podem existir em exames de sangue, urina, imagem e neurofisiologia. Finalmente, é preciso entender que o problema referido (desatenção e agitação) precisa ser persistente e interferir de maneira significativa com a vida pessoal/profissional, não se justificando por outras condições. Algumas escalas de auto-avaliação em adultos podem auxiliar na triagem. Recomendo, neste caso, uma visita ao site da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) no endereço eletrônico www.tdah.org.br.

Vale também lembrar que existe uma associação muito comum entre TDAH e outras doenças neuropsiquiátricas. Entre elas, depressão e ansiedade, transtornos do sono e abuso de drogas lícitas e ilícitas. Transtornos de linguagem e aprendizado como a dislexia podem comprometer até 1/3 das crianças com TDAH, assim como problemas de sono, muito frequentes nesta população.

Basicamente existem 2 linhas de tratamento, que são complementares. A primeira linha envolve uma abordagem psicológica e psicopedagógica e a segunda envolve tratamento com remédios, normalmente estimulantes do sistema nervoso central. As medicações usadas para o tratamento do TDAH devem ser avaliadas pelo médico que as prescreve. Existem diversos efeitos adversos conhecidos e que devem ser discutidos previamente. Dentre os mais comuns: irritabilidade, insônia, tremores, crises convulsivas. A posologia (forma de administração) e dose será tratada individualmente, conforme cada caso.

O TDAH leva a sérios problemas não somente do ponto de vista cognitivo, com desempenho escolar ruim, mas também nas relações sociais e na vida afetiva da criança ou adulto acometido. Como o tratamento, farmacológico e não-farmacológico, tem um impacto significativo na qualidade de vida destes pacientes, vejo que o passo principal é suspeitar do diagnóstico e referenciar o quanto antes a um médico que possa avaliar o caso e fazer as orientações cabíveis. Os pacientes tratados com êxito têm condição de exercer plenamente suas capacidades psicomotoras.

Epilepsia – Diagnóstico e Tratamento

Quem não conhece alguém ou presenciou consigo mesmo(a) uma situação de desmaio ou quase desmaio? Do ponto de vista neurológico, o desmaio é uma perda completa da consciência, normalmente de caráter transitório. Entretanto, nem sempre estes desmaios estão relacionados com problemas de pressão arterial, como a maioria das pessoas pensa.

Uma das causas de desmaios, por exemplo, pode ser a epilepsia, que se manifesta apenas com perda da consciência associado ou não a “abalos motores”. Entretanto, causas ainda mais comuns de perda da consciência incluem diminuição do açúcar no sangue, queda da pressão arterial e arritmias cardíacas.

Outra causa de desmaio menos comum pode estar relacionada a um problema sério de sono, muitas vezes não diagnosticado, que é a narcolepsia. Neste caso, os “ataques de sono” podem simular desmaios também.

Para os pacientes, é importante observar a situação na qual o desmaio ocorreu. Assim, devemos considerar se foi um desmaio após um período de jejum prolongado, durante o ato de urinar, após um esforço físico, após mudar repentinamente de uma posição (deitado) para outra (de pé), se ocorreu palpitação no tórax ou outro elemento incomum.

Em geral os desmaios são investigados pelo clínico, cardiologista e/ou neurologista e os exames dependerão das causas, podendo incluir testes para o coração (eletrocardiograma, ecocardiograma, teste da mesa inclinada), exames neurológicos (neuroimagem e eletroencefalograma) e rotina laboratorial (glicemia, hemograma, eletrólitos, função renal, hepática e tireoidiana).

Em síntese, os desmaios podem significar muito mais do que uma queda da pressão arterial e envolvem problemas clínicos, cardíacos e, logicamente, neurológicos. A correta investigação e terapêutica, por sua, vez, dependerão de uma criteriosa investigação dessas etiologias.

O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS EPILEPSIAS

Muitas pessoas já presenciaram um indivíduo tendo crises epilépticas, mas poucos sabem exatamente o que é epilepsia e como tratá-la. A epilepsia é um problema neurológico comum caracterizado clinicamente pela presença de crises convulsivas de repetição, nas quais o indivíduo pode ou não perder a consciência e se contorcer. Afeta desde recém-nascidos até idosos e tem um amplo diagnóstico diferencial.

A epilepsia manifesta-se pelas crises convulsivas que, de um modo geral, podem ser classificadas em crises parciais simples (não se perde a consciência e o indivíduo tem algum sinal/sintoma neurológico focal e transitório, por exemplo, pequenos abalos musculares da face e membro superior de um lado do corpo), crises parciais complexas (há um comprometimento da consciência e não perda total dela e são frequentes os chamados automatismos motores, em que o indivíduo estala os lábios, pisca os olhos várias vezes, movimenta uma das mãos sem propósito) e as crises generalizadas (nas quais a consciência é perdida transitoriamente e ocorrem contraturas seguidas de abalos musculares em todo corpo).

Para entendermos como uma crise epilptica ocorre, precisamos comparar o cérebro a um verdadeiro circuito elétrico, em harmonia, onde os neurônios (as células do cérebro) se comunicam uns com os outros transmitindo impulsos nervosos, ou literalmente corrente elétrica. Quando esta harmonia é perdida e um grupo de neurônios passa a “disparar” de maneira síncrona, diferente de seus vizinhos, pode haver uma crise convulsiva ou uma descarga epileptiforme.

 

Em recém-nascidos, problemas que ocorreram na gestação ou no parto, como malformações do sistema nervoso central e doenças metabólicas, são causas frequentes de epilepsias. Em crianças de 5 meses a 5 anos são comuns as chamadas crises febris, que normalmente não persistem após este período, e acontecem porque o aumento da temperatura em um cérebro ainda imaturo pode ser prejudicial. Em adultos, a principal causa de crise convulsiva é a chamada epilepsia do lobo temporal e, em idosos, crises convulsivas de início recente são normalmente secundárias a acidentes vasculares ou tumor.

O tratamento da epilepsia depende, primeiramente, de um diagnóstico correto e, a partir daí, orientações para prevenção de crises e o uso racional de medicações antiepilépticas. O tratamento com medicações leva em conta, principalmente, o tipo de crise, efeitos colaterais das próprias medicações, gravidade das crises e comorbidades que o paciente possa apresentar.

O principal objetivo do tratamento é reduzir o número de crises, preferencialmente, extingui-las por período prolongado. Todas as medicações podem levar a efeitos colaterais que deverão ser discutidos com o médico e monitorados ao longo do tratamento. Os efeitos colaterais dependem da medicação em si e da sensibilidade do paciente. Por isso, há uma variação grande entre pessoas tomando o mesmo remédio. Efeitos colaterais comuns são: tontura, vermelhidão na pele, sonolência, aumento de apetite, queda de cabelo, alterações no fígado, crescimento da gengiva, entre outros. Normalmente os indivíduos com epilepsias mal controladas acabam desenvolvendo uma série de problemas neuropsiquiátricos, em particular, depressão, ansiedade e ideação suicida.

A prevenção primária da epilepsia ainda é difícil, mas um diagnóstico precoce e correto, com tratamento adequado, pode colocar o indivíduo em uma situação livre de crise por vários anos e proporcionar uma melhor qualidade de vida. Finalmente, ainda é preciso desmistificar a epilepsia e o que cerca este problema, disseminar informação correta e, sobretudo, apoiar o portador de epilepsia na sua inserção completa em nossa sociedade civil.

Transtornos do Sono – Entenda Mais

O sono é uma etapa crítica para o corpo entrar em vigília, mas muitas pessoas sofrem na hora de dormir. Imaginar um longo dia de trabalho pela frente sem conseguir dormir adequadamente à noite é um problema que afeta milhares de brasileiros todos os dias. Problemas de sono interferem de maneira significativa na qualidade de vida e estão entre as principais causas de baixa produtividade. Abaixo segue uma relação dos principais transtornos do sono.

Insônia

A insônia é sem dúvidas o principal transtorno de sono, interferindo de maneira significativa na qualidade de vida das pessoas acometidas e estão, certamente, entre as principais causas de baixa produtividade nas sociedades modernas.

Os problemas da insônia vão muito além de uma noite mal dormida. Outras questões podem ocorrer, por exemplo, lapsos de memória, falta de atenção, dores de cabeça, mau humor, desânimo, sonolência excessiva diurna, dificuldade para retenção de informações novas, queda de produtividade, entre outros.

De qualquer forma, talvez o maior problema da falta de sono à noite esteja durante o dia, ou seja, na sonolência excessiva diurna, com prejuízo funcional significativo para o indivíduo. E existem diversos fatores que podem contribuir para uma noite de insônia. Entre eles: estresse, preocupação, má alimentação, consumo de álcool e/ou café antes de dormir, excesso de peso, excesso de ruídos na rua ou na própria residência, entre outros.

Para minimizar os problemas causados pela insônia, medidas simples de higiene do sono devem ser seguidas:

  • criar uma rotina para dormir
  • controlar som, luz, temperatura, cama, travesseiro
  • evitar café ou bebidas com cafeína 4 a 6 horas antes de deitar
  • evitar exercícios físicos intensos antes de deitar
  • usar a cama apenas para dormir
  • procurar um médico quando as medidas comportamentais não estiverem funcionando

O tratamento da insônia geralmente consiste em avaliar as causas secundárias e, quando necessário, indutores do sono não-benzodiazepínicos, benzodiazepínicos e antidepressivos poderão ser utilizados, a critério do médico assistente.

Síndrome da apneia obstrutiva do sono

Dentre os vários distúrbios do sono, a síndrome da apneia obstrutiva é, sem dúvida, um dos mais comuns, acometendo principalmente os homens. Trata-se de um distúrbio obstrutivo do sono no qual há um aumento da resistência nas vias aéreas superiores que determina dificuldade à passagem de ar durante o sono, período em que há maior flacidez do arcabouço das vias respiratórias superiores. A consequência é a apneia (pausas respiratórias), ronco e falta de oxigênio transitória no sangue (hipoxemia).

Algo importante de se observer é que muitas vezes a “pista” para a apneia do sono não vem do ronco em si, principalmente se o indivíduo não tem um companheiro de cama. Nestes casos, é preciso ficar atento para outros sintomas como sonolência excessive diurnal, falta de concentração, mau humor e hipertensão arterial.

O que provoca o ronco é a flacidez durante o sono de algumas estruturas como palato mole e úvula, composição óssea da face, pescoço, boca e sua abertura que dificultam a passagem de ar, e aumento do tecido gorduroso visceral, principalmente no abdômen. Mas vale lembrar que nem todas as pessoas que roncam têm apneia. Há roncadores sem apneia, aqueles que têm somente resistência aumentada nas vias aéreas superiores à passagem de ar durante o sono. No entanto, estes indivíduos têm maior risco de desenvolver apneia.

O tratamento para a apneia consiste em perda de peso, cirurgias otorrinolaringologicas, uso de aparelhos intra-orais e o uso de máscaras com pressão contínua de oxigênio (CPAP). A cirurgia é indicada em situações específicas como crianças e adolescentes roncadores e com grandes adenoides/tonsilas, malformações crânio-faciais ou quando o tratamento com aparelho intra-oral ou CPAP não é tolerado ou não funciona.

Enfim, é preciso ficar atento com a apneia do sono e entender que suas consequências vão muito além de uma noite mal dormida.

Parassonias

O sono fisiológico é dividido em ciclos que se repetem ao longo da noite. Estes ciclos, por sua vez, são compostos de 2 fases, o sono não-REM e o sono REM. Assim, um indivíduo que dorme uma média de 7 a 8 horas por noite terá cerca de 5 ciclos do sono. As parassonias, alterações do comportamento que ocorrem durante o sono, são um problema relativamente comum, em particular na infância, como o sonambulismo, uma parassonia do sono não-REM. Por outro lado, também existem situações de parassonias em adultos, que se iniciam em geral após os 50 anos, e são conhecidas como parassonias do sono REM ou transtorno comportamental do sono REM, no qual a pessoa, é capaz de experimentar o conteúdo (normalmente violento) de seus sonhos.

Mais importante que tratar, estas parassonias precisam ser cuidadosamente diagnosticadas. Em geral, as parassonias do sono REM são benignas e autolimitadas, enquanto as parassonias do sono REM, como o transtorno comportamental do sono REM, podem albergar problemas neurológicos que irão se desenvolver no futuro.

Narcolepsia

A narcolepsia é uma das causas mais subdiagnosticadas de sonolência excessiva diurna, geralmente ocorre em adultos jovens e pode estar associada a outros sintomas como cataplexia, que é uma perda súbita do tônus muscular desencadeado por situações com forte conteúdo emocional; paralisia do sono, quando a pessoa acorda, mas percebe que está “presa” em seu próprio corpo, imobilizada por alguns instantes; alucinações hipnagógicas, quando o conteúdo dos sonhos parece invadir a vigília e confunde-se com a realidade.

A narcolepsia tem critérios diagnósticos bem estabelecidos e polissonografia com teste de múltiplas latências do sono são importantes. O tratamento auxilia muito e geralmente é feito com estimulantes do sistema nervoso central.

Síndrome das pernas inquietas

A síndrome das pernas inquietas, SPI, é um problema neurológico muito comum, porém, pouco reconhecido. Acomete de 5 a 10% da população. A denominação “pernas inquietas” decorre do fato de o indivíduo ter que movimentar as pernas para aliviar seus sintomas associado ao que chamamos de “movimentos periódicos dos membros” quando, neste caso, durante o sono e involuntariamente, ocorre também movimentação das pernas.

Os principais sintomas são: sensação de desconforto (dor, formigamento, ardor) nas pernas, do joelho para baixo, especialmente no final do dia ou que piora em períodos de repouso prolongado.

O diagnóstico da SPI deverá ser feito por um médico, uma vez que vários problemas podem confundir com isto. Devemos suspeitar de pessoas que reclamam de dor crônica nas duas pernas, ao final do dia, que melhora com movimentação e massagem. Outra pista são os movimentos periódicos dos membros, que ocorrem à noite, durante o sono, e são involuntários. Isto normalmente desarruma os lençóis/cobertores e pode ser percebido pelo parceiro(a) de cama.

Em relação ao tratamento, é necessário evitar alguns fatores que podem piorar a SPi por exemplo uso excessivo de cafeína. Existem, entretanto, algumas medicações que podem amenizar bastante os sintomas como remédios das seguintes classes: agonistas dopaminérgicos, anticonvulsivante e benzodiazepínico. Um médico familiarizado com SPI deverá sugerir a melhor opção ao paciente.